Grávida; Eu? ou Liberdade sem ciúme no relacionamento

Grávida; Eu?

Nunca pensei; grávida? Eu? Recebemos uma amiga para jantar em nossa casa. Brasileira, morando na França, casada e grávida. Foi sem o parceiro, que já havia retornado. Ela faz o tipo daquelas que nunca admitiram essa possibilidade quando mais nova, mas que, há cerca de um ano, já com seus 35, resolveu congelar seus óvulos, naquela de: vai que… E engravidou naturalmente, sem precisar dos óvulos congelados, e aí, veio aquele discurso do: nunca pensei; grávida? Eu?

São mais comuns do que se imagina os casos em que mulheres passam a desejar filhos, mas foram tão firmes em afirmar que não queriam, que resolvem não contar aos amigos que mudaram de ideia, e quando acontece a gravidez, afirmam que esta ocorreu de forma inesperada; por um acidente.

Já sabíamos do fato.

Quando chegou fomos logo aos cumprimentos e felicitações.

Veja > O ciúme é sempre um sentimento doentio?

Renata então pergunta:

— Que maravilha, amiga! Então, me conta: como você resolveu engravidar? Como decidiu essa bela virada em sua vida?

— Ai, amiga, foi inesperado. Eu não queria, mas demos uma vacilada, sem camisinha. Uma só. E aí aconteceu. E nem estávamos em uma data muito provável, segundo o aplicativo.

— Que bacana. E o maridão? Está feliz?

— Ah, ele não queria também, mas ficou feliz.

— E como você se sentiu quando fez o teste?

— Eu já tinha feito um, meses antes, e o resultado negativo ficou bem definido; dessa vez havia uma linha muito tênue fazendo a cruzinha e eu fiquei na dúvida, mas a médica me assegurou que não importa a intensidade da linha que forma a cruz. O resultado era positivo mesmo.

Grávida; Eu?

Nesse momento eu a interpelo:

— Ah, que legal, mas tem alguns detalhes na sua narrativa que não se alinham aos propósitos de quem não está querendo filhos: você congelou óvulos, já tinha feito um teste antes desse e acompanhava seu período fértil por um aplicativo. Explica isso.

Entre risos gerais ela deu a sua explicação que não convenceu a mim e nem à Renata.

O fato não deixa de gerar curiosidade, mas o que importa é que o casal está feliz, a gravidez corre muito bem e o filho, agora, está no centro das suas atenções e dos seus planos. Conhecemos muito bem esse tipo de virada na vida.

A conversa, sempre muito boa e divertida com ela, prossegue. Filhos, trabalho um pouco de política, assunto que com ela deve-se ir devagar, a despeito de muitas convergências que temos com as suas ideias. Devagar porque, eventualmente, ela costuma avançar, de forma ligeiramente exacerbada, em alguns pontos de vista.

As horas vão se passando alegremente. Jantar sem vinho, para ela, claro. Fato inusitadíssimo.

Em um certo momento ela começa a falar sobre liberdade nos relacionamentos, afirmando que precisa se sentir livre para sair e viajar sozinha ou com as amigas, que não aceita essa de restringir sua liberdade em função do casamento e que ciúme não faz o menor sentido.

Mais tarde, falando sobre seu interesse em contratar uma babá, o que não é muito simples lá fora, diz que pretende contratar uma brasileira, pelas afinidades de costumes e facilidade de comunicação, além do que, as brasileiras são competentes e oferecem esse tipo de serviço a preços suportáveis.

Entretanto revela que contratará uma profissional mais velha e pouco atraente, para dizer o mínimo, pois não quer correr o risco de colocar uma novinha bonita em casa, que venha a impressionar o marido e colocar em risco a relação.

É, liberdade sem ciúme; ou seja, ela livre, e ele sem ciúme. Ao que parece, somente ele, claro.

Veja também > Mulheres decidem ser mães mais tarde, constata IBGE

                                                                             Julho/2023

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